"QUANDO A ESCOLA OUVE, A INFÂNCIA FALA”: UMA ANÁLISE DA PEDAGOGIA DA ESCUTA COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA A ETAPA CRECHE
QUANDO A ESCOLA OUVE, A INFÂNCIA FALA”: UMA ANÁLISE DA PEDAGOGIA DA ESCUTA COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA A ETAPA CRECHE
No Brasil, a infância é reconhecida como uma fase singular da vida, protegida e amparada
por legislações específicas, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990) e a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, no 9.394/1996), que define a Educação Infantil
como a primeira etapa da Educação Básica. Esses marcos legais reafirmam a criança como sujeito
de direitos e orientam a escola a oferecer experiências que promovam o desenvolvimento integral,
o convívio, a participação e a escuta como dimensões constitutivas do aprender e do viver junto.
Neste contexto, a Pedagogia da Escuta emerge como uma perspectiva que busca romper
com a lógica da invisibilidade e da imposição, convidando professoras a abrirem os olhos e os
ouvidos para as vozes que se expressam para além das palavras. Escutar o “silêncio” das crianças,
portanto, é reconhecer que há sentidos, desejos e saberes que se manifestam em gestos, olhares,
brincadeiras e silêncios e que merecem ser acolhidos como parte legítima dos processos de
aprendizagem e de construção da cultura infantil.
Assim, refletir sobre a escuta na Educação Infantil é refletir sobre o próprio papel da escola
enquanto espaço de relações, significações e aprendizagens que se constroem na convivência e no
diálogo com o outro. Em um cenário em que as vozes infantis ainda são, por vezes, silenciadas por
práticas adultocêntricas e currículos prescritivos, faz-se necessário (re)pensar a escuta como ato
político e ético, capaz de deslocar o olhar sobre a infância e de instaurar novas formas de
compreender o aprender e o ensinar.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017) e as Diretrizes Curriculares Nacionais
para a Educação Infantil (DCNEI, 2010) destacam a escuta, a participação e o protagonismo das
crianças como princípios éticos, políticos e estéticos da prática pedagógica. Nesse sentido, pensar
a Pedagogia da Escuta é também pensar em como a escola garante, no cotidiano, os direitos de
aprendizagem e desenvolvimento, reconhecendo as crianças como produtoras de cultura e saberes,
e não apenas como receptoras de conhecimento.