SIGNIFICANDO OS NÚMEROS IRRACIONAIS: UMA PROPOSTA DIDÁTICA PAUTADA EM CONSTRUÇÕES GEOMÉTRICAS
ensino e aprendizagem de matemática; números irracionais; incomensurabilidade; construções geométricas.
Este trabalho teve como objetivo principal investigar de que forma uma sequência didática pautada em construções geométricas pode favorecer a significação dos números irracionais na educação básica. A relevância do estudo residiu no fato de que, frequentemente, os números irracionais são apresentados de maneira restrita, limitando-se à definição como não-fracionários ou dízimas não periódicas, sem fazer uso de representação geométrica. Diante disso, a pergunta norteadora da pesquisa foi: de que forma a geometria pode auxiliar os estudantes na significação dos números irracionais? A resposta a essa questão foi construída ao longo de um processo metodológico que envolveu a elaboração, aplicação e análise de uma sequência didática para a significação dos números irracionais, por meio de atividades que envolvem construções geométricas, partindo de aspectos históricos e da incomensurabilidade entre segmentos. A proposta fundamenta-se em documentos orientadores e normativos da educação básica brasileira e nas contribuições de autores que discutem o ensino dos números irracionais, o uso de representações geométricas e o ensino exploratório de matemática. A metodologia empregada foi a pesquisa qualitativa com objetivo exploratório-descritivo, com delineamento de pesquisa do tipo intervenção pedagógica. Os resultados obtidos a partir da aplicação dessa sequência didática em uma turma de 9o ano com 12 alunos indicaram que o uso de construções geométricas contribuiu para a significação dos números irracionais pelos estudantes na medida em que foi possível perceber que os estudantes passarem a utilizar com maior consistência definições formais dos números irracionais, como a impossibilidade de expressá-los como razão entre dois números inteiros, a localizar alguns irracionais na reta numérica, a realizar aproximações decimais e a associar segmentos geométricos a radicais. Além disso, o estudo evidenciou que o ensino exploratório envolveu os estudantes na problematização e na busca de soluções, oportunizando a ampliação do repertório de números irracionais de conhecimento dos estudantes na medida em que reconheceram a insuficiência dos racionais para representar determinadas medidas geométricas.